Exposição de Gravuras com 150 obras

Exposição de Gravura

Exposição de gravura – A gravura é uma técnica de impressão de imagens a partir de uma matriz rígida, a gravura tem raízes na Antiguidade e já era conhecida por egípcios e chineses desde o século II. No Ocidente, no entanto, começou a ser difundida apenas no século XV, a partir de diferentes técnicas e escolas. Ao ampliar a possibilidade de levar obras de arte a um número maior de pessoas, o trabalho dos artistas gravadores mudou a própria relação entre o homem e sua produção imagética, em conexão com as transformações tecnológicas de cada período, das prensas mecânicas à fotografia. Um recorte dessa tradição poderá ser visto na exposição “Imagens impressas: um percurso histórico pelas gravuras da Coleção Itaú Cultural”, que será inaugurada nesta quinta-feira, às 18h, no Museu Nacional de Belas Artes, após passar por Santos, Curitiba e Fortaleza.

Com curadoria de Marcos Moraes essa exposição de gravura traz obras de mestres do Renascimento ao Pós-impressionismo, que mapeiam cinco séculos da produção gráfica europeia. As 143 imagens foram selecionadas de um total de 451 gravuras do acervo do Itaú Cultural. Elas são originárias da Europa, e nunca haviam sido exibidas no país antes da mostra itinerante.

Exposição de gravura com obras do artista Goya.

Exposição de gravura com obras do artista Goya – água tinta.

CONFIRA AS OBRAS DA EXPOSIÇÃO DE GRAVURA ‘IMAGENS IMPRESSAS’

'Le Forgeron' (1833), de Eugène Delacroix (1798-1863) - Água Tinta

‘Le Forgeron’ (1833), de Eugène Delacroix (1798-1863) – Água Tinta

'Lola de Valence' (sem data), de Edouard Manet (1832-1883)

‘Lola de Valence’ (sem data), de Edouard Manet (1832-1883)

'Autorretrato com boina e roupa Bordada' (1642), de Rembrandt van Rijn (1606-1669) Água-forte Prova do séc XVIII ou XIX 8,2 X 6,2 cm (papel) 8,2 X 6,2 cm (mancha)

‘Autorretrato com boina e roupa Bordada’ (1642), de Rembrandt van Rijn (1606-1669)
Água-forte
Prova do séc XVIII ou XIX
8,2 X 6,2 cm (papel)
8,2 X 6,2 cm (mancha)

'John Wilkes' (1763), de William Hogarth (1697-1764)

‘John Wilkes’ (1763), de William Hogarth (1697-1764)

'Cristo carregando cruz' (1475), de Martin SchongauerFoto: 

‘Cristo carregando cruz’ (1475), de Martin SchongauerFoto:

'Doctor Syntax' (1821), de Thomas Rowlandson (1756 - 1827)

‘Doctor Syntax’ (1821), de Thomas Rowlandson (1756 – 1827)

 

'Henrico van der Borcht' (1646), do desenhista H. Holbein e gravador Wenzel Hollar (1607 1677)

‘Henrico van der Borcht’ (1646), do desenhista H. Holbein e gravador Wenzel Hollar (1607 1677)

 

'La Fiancée dAbydos' (1823), de Theodore Gericault (1791-1824)

‘La Fiancée dAbydos’ (1823), de Theodore Gericault (1791-1824)

— A coleção foi adquirida integralmente, há cerca de 15 anos, e recentemente surgiu o interesse de trabalhá-la a partir de um recorte que criasse um olhar panorâmico, e que também fosse didático, no melhor sentido do termo — explica Marcos Moraes. — Ela é divida em núcleos com uma orientação cronológica, mas que evidenciam como as técnicas se sucederam e se relacionavam às mudanças na sociedade e nos meios de produção. A seleção, que abarca cerca de um terço do acervo, leva em conta essas características, além das possibilidades para o deslocamento das obras

O conjunto destaca obras de artistas reconhecidos pelo uso de diferentes técnicas de gravação, como Honoré-Victorien Daumier (é dele o maior número de trabalhos da mostra, 17 no total), Gustave Doré, William Hogarth e Martin Schongauer — é do alemão a imagem mais antiga na exposição, “Cristo carregando cruz”, de 1475. Mas a seleção também traz gravuras de artistas que ficaram mais conhecidos em outros meios, como os pintores Édouard Manet, Eugène Delacroix, Francisco de Goya e Henri de Toulouse-Lautrec.

‘Muitas dessas obras tornaram-se referências para as gerações seguintes, como Picasso, que criou xilogravuras com linóleo, aproveitando um material tipicamente industrial’ – MARCOS MORAES – Curador de ‘Imagens impressas’

— A opção pelo uso de “imagens impressas” e não gravuras no título da exposição dá um pouco do sentido que as técnicas adquiriram ao longo do tempo, ainda que tenham ficado mais associadas à ilustração e às obras impressas. A gravura permite a experimentação, e muitos pintores e escultores exploraram as suas diferentes possibilidades para encontrar suas linguagens e poéticas dentro do meio — observa o curador. — Muitas dessas obras tornaram-se referências para as gerações seguintes, como Picasso, que criou xilogravuras com linóleo, aproveitando um material tipicamente industrial.

Ainda que a seleção da mostra não ultrapasse o fim do século XIX, Marcos Moraes acredita que seu conjunto aponta para mudanças ocorridas também no século XX, com a arte moderna, chegando a influenciar as obras da era digital.

— Se avançássemos algumas décadas além do recorte da mostra, poderíamos mostrar os reflexos do trabalho do grupo alemão A Ponte no expressionismo ou a força das artes gráficas da Rússia dos anos 1910 e 1920 — comenta o curador. — Muito do que vemos hoje, mesmo em obras criadas em meios digitais, mantém essas referências, a despeito do que se acreditava nos primeiros anos da fotografia, de que ela mataria a gravura. A imagem impressa tem essa capacidade de condensar uma ideia, que nos permitiu, ao longo dos séculos, provocar e sermos provocados por ela.

SERVIÇO

“Imagens impressas” Museu Nacional de Belas Artes — Avenida Rio Branco, 199, Cinelândia (3299-0600). Quando: Ter. a sex., das 10h às 18h; sáb., dom. e fer., das 13h às 18h. Abertura dia 26/10, às 18h. Até 18/2. Quanto: R$ 8. Censura: Livre

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