Logo Galeria de Gravura

Figura 1: Estampa. Galeria de Gravura

A Galeria de Gravura recentemente passou uma encomenda para realizar em xilogravura da logo. A Galeria de Gravura é referência no Brasil quando o assunto é gravura. Em seu acervo a Galeria de Gravura possuí enorme variedade de estampas de artistas modernos e contemporâneos do cenário nacional e internacional. A Galeria de Gravura destaca-se ainda por ser o 1º E-Commerce de obras de arte do Brasil, lançado em 2005. Receber tal incumbência da Galeria de Gravura, a encomenda para realizar sua logo em xilogravura, constituí um desafio deveras importante por se tratar de uma empresa relevante no cenário da arte gráfica nacional.  O leitor poderá ter a compreensão acerca das ações de fomento realizadas pela Galeria de Gravura e sua atuação importante nos vários segmentos da produção visual nacional ao visitar seu site e conhecer todos os projetos que levam seu selo e certificação de qualidade.

Uma vez assumido o desafio de fazer a logo da Galeria de Gravura com xilogravura pensei que esta seria a oportunidade ideal para apresentar ao público amante da arte gráfica um pouco do processo que realizo com a xilogravura. Meu objetivo foi apresentar as etapas de realização de uma xilogravura. Evidente que por se tratar de uma técnica milenar muito do que apresentarei já foi tratado em um manual ou ensinado em uma disciplina universitária, mas o que enfatizo é o caráter singular e de experimento que a gravação em xilogravura pode promover. Trata-se de um exercício simbólico de reiteração cognitiva onde o exercício e a prática continuada promovem o alcance da experiência e do saber. Neste momento, em que as tecnologias abrangem o todo das nossas vivencias e experiências sensíveis, retomar processos relegados ao passado possibilita a transformação extremamente útil que atualiza processos e experiências.  Para tanto mostro nas linhas a seguir uma exposição temática na qual imagens e palavras dão o teor do caminho percorrido e apresentam ao fim a obra consumada. Mais importante do que os fins são os meios, as formas pelas quais a gravura surgida da madeira transmutasse ao papel. Da gravação à impressão, casualidades formidáveis ocorrem. Este tem sido meu objetivo; apresentar ao público, à universitários e leitores, formas de fazer, meios de criar, e mais do que isso elementos e etapas necessárias a realização de estampas. Caso singular que caracteriza a gravura são seus processos que por vezes imbricados devem ser seguidos para que a gravura surja. Entre a regra, o método e a experiência aberta está a gravura.  Caros leitores, fiquem a vontade para observar as imagens, a descrição dos processos e desejo que façam suas experiências, suas matrizes e estampas, pois é do estudo, da prática em atelier que surgem as gravuras e o gravador.

Xilogravura: Etapa de gravação

 1 Preparação da matriz para gravação

Para dar início à etapa de gravação de uma matriz de xilogravura faz-se necessário a correção das bordas ou mesmo do recorte da madeira. Devemos levar em conta a possibilidade de não termos a mão madeiras com o tamanho indicado para a pretendida matriz. É comum aos artistas possuírem em seus ateliers material para matriz xilográfica, seja madeira, MDF ou até linóleo em grandes e médios formatos e recortá-los conforme o projeto a ser executado. Tenho em meu atelier uma serra tico-tico que é apropriada para momentos como esses no qual preciso recortar a madeira conforme o tamanho requerido pelo projeto que estou trabalhando. Após realizado o corte da matriz conforme o tamanho pretendido, é necessário lixar as arestas da matriz. Na sequência o lixamento da superfície deve ser feito com atenção. Iniciando com uma lixa mais porosa, de cor amarela ou avermelhada, usadas em marcenarias, até o acabamento com lixa fina, de cor preta, usada geralmente para polimento de metais e que possui grãos extremamente finos que são ideais para a uniformização da superfície da matriz. Aqui deve ser observado que alguns artistas não lixam a matriz preferindo que os veios e casualidades que estão sobre a prancha apareçam na impressão.  O lixamento da matriz visa uniformizar e diminuir a presença dos veios da madeira na impressão. Após o término do lixamento é necessário retirar o excesso de pó com pincel ou escovinha e estopa. Observando a necessidade, caso a madeira seja frágil ou apresente áreas quebradiças, deverá ser aplicado uma solução de igual proporção, 50/50, de goma laca e álcool para enrijecer a superfície a ser gravada.

Material: serra tico-tico, lixa amarela ou avermelhada de madeira e preta de metal, pincel, escovinha, estopa, goma laca, álcool.

 2 Transferência da imagemProdução gravura Galeria de Gravura - Transferência do desenho para matrix

Figura 2: ampliação do desenho da logo da Galeria de Gravura.

 A transferência da imagem é utilizada geralmente para evitar o seu espelhamento. O espelhamento é uma característica da gravação em relevo que provoca o deslocamento da imagem de forma lateral, esquerdo/direito, ou seja, o conteúdo gravado no lado direito da matriz quando impresso fica localizado no lado esquerdo do papel. Mas há outros fatores que levam o artista a realizar a transferência da imagem. Um deles ocorre quando há necessidade de gravar algo com certa precisão, seguir um modelo ou desenho, sempre de acordo com um projeto evidentemente. No caso especifico aqui citado, a gravação da logo da Galeria de Gravura, usei por base a imagem da logo realizada em mídia digital que obviamente já existia. Minha incumbência foi fazer a gravação da logo em xilogravura.  Neste caso ampliei as dimensões do motivo de forma artesanal medindo a imagem de referência e ampliando proporcionalmente e de acordo com a matriz de suporte, cuja medida é 24,3 x 29,7 cm. Chamo a atenção de que esse trabalho poderia ser realizado digitalmente fazendo com que a logo da Galeria de Gravura, originalmente em arquivo com medidas menores do que a matriz, fosse ampliado para coincidir com a medida de 24,3 x 29,7 cm. As fotografias do procedimento que insiro neste texto, apresentarão também outra característica especifica do procedimento que utilizo que se refere ao papel de transferência. É usual a utilização do papel carbono para transferir assuntos visuais sobre madeira. Isto feito torna direta a transferência do motivo que fixa-se sobre a matriz através do papel carbono. Em vez disso, faço uso do papel vegetal que não possui em si matéria de transferência igual ao papel carbono. Por isso torna-se necessário ‘carregar’ o papel vegetal com grafite, dispondo o papel sobre o motivo desenhado em papel de esboço e transferido com lápis com alta quantidade de carvão e cera, os mais macios, para o papel vegetal. Em seguida inverto o lado do papel vegetal e coloco a parte carregada com grafite sobre a matriz e do outro lado pressiono com lápis duro, hb, para transferir o assunto para matriz.

BR 3Figura 3: transferência do desenho para o papel vegetal.

Neste projeto ocorreu fato peculiar que foi a decisão de fazer duas matrizes com o mesmo motivo; uma que quando impressa apresentasse as letras da logo de forma legível e a outra que apresentasse as letras invertidas o que na prática impossibilita a leitura a menos que seja revertido seu efeito com um espelho. Isto fiz para explicar a ação do ‘espelhamento’ que ocorre na gravação. Poderá ser observado nas imagens a forma como gravei cada matriz e a consequente impressão. A matriz na qual é possível fazer a leitura do texto da logo, as palavras, ‘Galeria de Gravura’, quando impressa aparecem invertidas, por sua vez a matriz cuja leitura não é possível de ser feita, aparece legível quando impressa.

Material: lápis; macios e duros, papel, régua, esquadro, papel carbono ou papel vegetal.

Produção gravura Galeria de Gravura - Transferência do desenho para matriz

Figura 4: desenho transferido com lápis para o papel vegetal.

3 Gravação da matrizBR 5Figura 5: início da etapa de gravação da matriz.

A gravação da matriz é a etapa do corte da madeira. A ferramenta mais utilizada é a goiva, mas podem ser utilizados buril e materiais alternativos como pregos, pontas de faca e grafos e escovas de metal, entre outros. A gravação da matriz é a etapa essencial da gravura e seu aprendizado exige persistência e paciência bem como o estudo de gravadores, antigos e recentes, além de procedimentos e técnicas, muitas delas antigas. Atualmente podemos encontrar vários vídeos que demonstram procedimentos antigos, como por exemplo o modo de impressão japonesa do período Edo, realizada com grande vulto no século XIX por artistas como Hiroshige (1797 – 1858) e Hokusai (1760 – 1849) até procedimentos adaptados contemporaneamente e mesmo novos processos de gravação. Reitero aqui que não se trata de seguir tutoriais e fazer tal e qual o enunciado em vídeos e também em livros de manuais gráficos, mas sim de estudo continuado que permite através da prática a efetivação de uma forma nova de gravar e imprimir, particular e única, adaptada as condições materiais e simbólicas da vida de seu autor, a sua, a minha, forma de imprimir.

Para a gravação da matriz para a Galeria de Gravura, considerando que a estampa é composta por letras onde se pretendia o branco pleno, não havendo o efeito de transferência de zonas tonais, dos cinzas coloridos, dos mais claros aos mais escuros, dei início a gravação cortando as bordas das letras para posteriormente retirar a madeira do interior das mesmas. Para cortar as bordas das letras usei as ‘faquinhas’ e ‘formões chatos’ mas também as goivas em formato de ‘V’, bem finas. Devo adiantar que dou preferência pelo corte direto com a goiva em ‘V’ embora haja o risco de rasgar a madeira e romper o limite das bordas desenhadas. A parte interior das letras retirei com goivas em formato de ‘U’, mais adequadas para eliminar áreas amplas, sendo que o inicio do corte deve ser feito com as goivas de menor ângulo passando para as de maior conforme a área a ser eliminada ou rebaixada pela goiva. A finalização da gravação é feita com o lixamento da superfície da matriz, já em seu momento de preparação para a impressão, quando as arestas e rebarbas que ficaram protuberantes e interferirão na aplicação do rolo são eliminadas pelas lixas. Tendo feito isto a matriz estará pronta para ser impressa.

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Figura 6: gravação da matriz da Galeria de Gravura

Xilogravura: Etapa de impressão

1 Preparação da matriz para impressão

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Figura 7: preparação da matriz para a impressão, com lixas.

Após ter sido finalizada a sua gravação a matriz pode ser levada para a impressão. Neste momento algumas ações devem ser realizadas para evitar problemas de impressão que podem gerar estampas de má qualidade. Logo após a gravação a matriz deve ser lixada. Primeiro com lixas mais abrasivas, de cor amarela ou avermelhada, usadas em marcenarias e posteriormente com lixa preta, usada em polimento de metais, de grão bastante fino que permite bom acabamento. O objetivo aqui, com o uso das lixas, é eliminar os restos de madeira em locais onde se pretenda o branco do papel e ainda uniformizar a matriz garantindo maior destaque ao corte feito com as goivas. O acumulo de pó sobre a matriz gerado durante a etapa de lixamento da matriz pode ser retirado com pincel ou escovinha e logo em seguida ser passado sobre a matriz um pano úmido cujo objetivo é retirar toda a matéria que possa estar depositada sobre a matriz, principalmente sobre as áreas cavadas. Esta ação auxilia na eliminação de farpas que podem aderir ao rolo durante a tintagem contaminando a tinta. Quando isto ocorrer será necessário a limpeza do rolo com solvente e enxague com detergente e água e a eliminação da tinta que estiver esticada sobre a mesa, de vidro ou mármore. Caso seja constatado que a matriz é frágil ao ponto de comprometer o assunto gravado com as goivas. Isto quer dizer, que áreas da matriz podem quebrar-se ao receber a prensagem, deverá então ser aplicado com pincel uma solução de igual proporção, 50/50, de goma laca e álcool que tem como princípio o enrijecimento das fibras da madeira garantindo à matriz maior resistência à pressão. Sendo necessário o impressor pode recorrer ainda à serra tico-tico, caso, após a realização dos primeiros testes de impressão, observe irregularidades, problemas de esquadro ou similar, que prejudiquem o conteúdo gravado e recortar a área inconveniente.

Etapas:

Lixar a matriz para aparar as rebarbas.

Retirar o excesso de pó com pincel ou escovinha.

Passar tecido umedecido para retirar restos de pó sobre a matriz.

(Sê necessário usar goma laca e álcool para enrijecer a matriz).

Opcional: usar serra tico-tico para correções das bordas da matriz.

Material: serra tico-tico, lixa amarela ou avermelhada de madeira e preta de metal, pincel, escovinha, estopa, goma laca, álcool.

 

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Figura 8: limpeza da matriz com pano úmido.

2 Preparação do ‘berço para impressão e regulagem da prensa

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Figura 9: Preparação do ‘berço’ para impressão na prensa.

Com a matriz lixada e pronta para a impressão iniciamos a preparação do ‘berço’ que será usado na impressão. O objetivo aqui é fazer um ‘guia’ com o qual se possa realizar uma tiragem, que pode ter até centenas de estampas, com razoável semelhança, levando em consideração para isso o enquadramento da imagem e a destinação de área maior, na base da impressão, relegada a receber a identificação da tiragem e a assinatura do artista. Costumo centralizar a matriz em papel maior, geralmente craft, canson de teste e até tecido, que já recebeu as medidas do papel que pretendo imprimir, pois assim faço as medidas da matriz levando em consideração a área destinada a assinatura do artista. Há artistas que procedem de forma diferente como é o caso da obra exemplar de Anico Herskovits, (2006), que apresenta outro modelo para a realização do berço na prensa.  Após a criação do ‘berço’ que será o guia para a impressão, procedo a regulagem da prensa. Para a regulagem deve ser levado em consideração a espessura da matriz, do papel que será estampado e do feltro. Podendo ainda ao feltro serem adicionados mais papéis, geralmente jornais velhos que visam causar maior maciez e possibilitar uma transferência de tinta, da matriz para o papel, suavizada e uniforme. Deve ser observado ainda que, caso seja usado jornal será importante colocar um papel ‘limpo’, sem qualquer marca de sujeira ou tinta, e liso por trás do papel que receberá a imagem contida na matriz. Isto é feito porque o jornal, mesmo envelhecido, sob pressão costuma transferir tinta para outros papéis. O ideal é iniciar a regulagem com uma altura superior à soma das alturas da matriz, do feltro e dos papéis e fazer passar sobre os rolos da prensa e ir ajustando a pressão aos poucos até alcançar o ponto ideal para evitar acidentes que danifiquem a matriz, o rolo e as engrenagens da prensa. Para a comprovação de que a pressão está correta pode ser colocado um papel de rascunho liso sobre a matriz e observar seu estado após a passagem pelos rolos. Sendo o papel de mediana gramatura a pressão indicada resultará em marcas uniformes que apresentam em destaque as áreas cavadas da matriz.

Etapas:

Desenhar, (marcar), área do papel estampa e da matriz em um papel de base a ser colocado na prensa.

Medidas: base inferior maior para inserir assinatura.

Material: lápis, papel, régua, esquadro.

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Figura 10: marcações das medidas do papel e da matriz no ‘berço’ para impressão.

3 Escolha do papel

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Figura 11: escolha e corte do papel para impressão.

 A cerca da escolha do papel para a estampagem alguns critérios, de ordem técnica, devem ser levados em consideração. Sendo uma matriz de xilogravura a origem da imagem é indicado o uso de papéis lisos ou semi porosos uma vez que um papel com muita textura cria um conflito visual que danifica os valores encontrados em uma estampa impressa com xilogravura que são a energia gráfica das áreas cavadas e as sutilezas dos veios da madeira. Mesmo quando a matriz é um MDF ou um linóleo, que possuem superfície uniforme, as indicações acima referidas devem ser mantidas. Outro fator é a gramatura. É importante usar papéis de boa gramatura, 180, 200 ou 300 gramas. É sabido que papéis, especialmente os de alta qualidade usados na gravura, possuem lado. Isto tem a ver com o modo de fabricação do papel que tem as marcas da tela de fabricação e prensagem das fibras. Geralmente o lado com mais textura e poroso é o lado correto para ser utilizado. Ocorre que alguns artistas utilizam o lado avesso que geralmente é mais liso para imprimir xilogravuras. Não se trata de regra a ser seguida, mas pode ser bastante útil quando da impossibilidade de usar papel menos poroso na impressão. Na xilogravura é praxe o uso de papel branco ou creme e tinta preta, mas outras cores de tintas e de papéis podem e devem ser utilizadas.

Não há regra a esse respeito e o uso da cor não pode ser gratuito e sim estar de acordo com a proposta do artista enquanto que para um estudante o ideal é que teste a maior quantidade possível de variações para assim obter maior experiência acerca das relações de cores que podem ser obtidas com o papel e tinta. O tamanho do papel usado na impressão é critério de ordem prática que deve ser observado com atenção. Nesse quesito a sobriedade deve balizar a opção do impressor que precisará optar por um tamanho de papel que comporte a estampa sem comprimi-la e aperta-la contra as bordas do papel. Em suma, o papel deve dar abertura para a estampa que é o assunto impresso. O que está em pauta é a relação de medidas do papel e da matriz. As medidas laterais, paralelas e opostas a área de assinatura da gravura devem ser iguais e terem medidas intermediarias que permitam espaço de ‘respiro’ para a imagem quando emoldurada. Por exemplo a matriz que gravei para a Galeria de gravura mede 24,3 x 29,7 cm, sendo 29.7 cm a área equivalente aos lados paralelos e opostos a área de assinatura.

A matriz é de base maior, consequentemente de aspecto horizontal. À medida de 29.7 cm pode ser acrescido 5 cm de cada lado resultando, portanto em um papel de aproximadamente 39,7 cm. A área de base inferior, que recebe a identificação da tiragem, título e assinatura deve ser maior que a parte superior. Com isso a medida inferior destinada para a base inferior, considerando o tamanho da matriz acima citado, pode ser de 8 cm e a parte superior de 5 cm. é condição opcional molhar o papel para a impressão xilográfica. O umedecimento do papel, quando necessário, pode ser realizado por esponja absorvente ou borrifador evitando com isso a imersão do papel na água, indicado para impressão de gravura metal. Trata-se de um critério livre que é adotado conforme a avaliação e modos de operação do impressor, mas geralmente é desnecessária, pois uma vez que a regulagem da prensa esteja em conformidade com a relação de altura e pressão sobre o papel é possível registrar as texturas e marcas da matriz com o papel a seco.

Critérios técnicos a serem considerados:

Gramatura, lisura, lado do papel, cor, tamanho.

Relação entre a medida do papel e o tamanho da matriz.

Opcional: molhar o papel para melhorar a absorção da tinta.

4 Corte do papel

As indicações quanto ao corte do papel são de caráter técnico apenas e se destinam a cuidados com o alinhamento das bordas do papel sendo necessário o uso de esquadro ou similar. As ferramentas para corte de papel podem ser guilhotinas, mas também estiletes e esquadro, régua e escalas, para medir e enquadrar as folhas. Antes de qualquer atividade a mesa de corte deve ser limpa. A mesa de corte pode ser de mármore, vidro, metal, PVC, e pode ser limpa com detergente e água e finalizada com estopa e álcool.

Material: papel, guilhotina, estilete, esquadro, réguas.

Importante: Fazer a limpeza da mesa de vidro ou área de corte com detergente e ou álcool.

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Figura 12: limpeza da mesa de tintagem com álcool.

5 Impressão

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Figura 13: equipamentos para impressão de xilogravura; tinta offset, rolo de tintagem, espátulas e solvente.

 O material necessário para a impressão de xilogravura é tinta, rolo de tintagem, solvente, espátula, faquinha, talco, sendo indispensável que haja no atelier uma base ou mesa para de tintagem onde a tinta é retirada da lata e esticada sobre esta superfície, geralmente de vidro ou mármore. Vamos aos detalhes importantes sobre cada material.

A tinta para a impressão de xilogravura pode ser de offset. Logo após ser retirada da lata a tinta deve ser ‘batida’ sobre a mesa. Isto quer dizer, esticar a tinta com a espátula, removendo e movendo-a sobre a mesa até alcançar a consistência indicada para uso. Nem tão espessa, nem muito fluida apresentando ao fim um escorrimento lento quando erguida pela espátula e deixada sua queda ao sabor da gravidade. A tinta deve ser retirada da superfície da lata e não ‘perfurando’ para retirar a tinta do fundo da lata. Geralmente tintas envelhecidas criam uma casca na superfície da lata que quando postas sobre a mesa de tintagem exigem longo tempo de manipulação com espátula até que chegue a uma consistência indicada para uso. Caso a tinta esteja dura pode ser adicionado óleo de cravo para afina-la, do contrário, pode ser adicionado carbonato de cálcio para endurecer a tinta. Via de regra esses são os cuidados essenciais que devemos ter com a tinta ao imprimir. Levando em consideração aqui que a tinta é de base oleosa porque se fosse de base aquosa os cuidados deveriam ser outros.

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Figura 14: tinta retirada lata com espátula

 O rolo de tintagem, que pode ser de borracha, silicone, couro ou similar, tem-se por regra, que seja maior do que a matriz, mas nada impede que usemos rolos menores quando não tivermos a disposição um rolo que seja maior do que a matriz. Por exemplo, na impressão aqui referida, a logo da Galeria de Gravura, a matriz mede 24,3 x 29,7 cm e para a tintagem usei um rolo de 30 cm de comprimento. Porém costumo usar um rolo menor do que a matriz durante as tintagens que faço e não tenho tido problemas com isso. O detalhe a se considerar é a forma de atintar que deve ser ‘cruzada’ e passar por todas as áreas da matriz com igual pressão e distribuição de tinta. Outro fator a considerar é o tipo de gravação realizado na matriz que podem ser lineares e, portanto, mais fechadas ou então mais abertas com grandes áreas que se queira o branco do papel. No último caso deve ser tomado mais cuidado ao fazer a tintagem, evitando marcar com tinta áreas que se pretenda livres de cor. É neste ponto que o talco se torna necessário.

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Figura 15: tinta esticada sobre a mesa de vidro.

 O solvente é usado para limpeza dos equipamentos e da mesa de vidro onde é esticada a tinta, ao fim da impressão. Durante a impressão é raro o uso do solvente. Invariavelmente pode ser usado para retirar a tinta sobre a matriz quando identificado qualquer irregularidade na mesma, como por exemplo a necessidade de cortes com goivas e correções nas bordas, fora isso o solvente é usado para a limpeza dos equipamentos. Sendo um produto tóxico tenho experimentado opções para eliminar ou reduzir seu uso. Durante a limpeza raspo as sobras de tinta que estão sobre a mesa e devolvo para a lata. Derramo água sobre a mesa e espero alguns segundos. Por si só a água é eficiente para umedecer e fazer saltar do vidro a tinta oleosa que retiro facilmente com um pano ou estopa. O uso do solvente se torna imprescindível no rolo de tintagem. Neste momento é indispensável o uso de máscara respiradora para inibir a inalação do conteúdo tóxico. É necessário destacar aqui que após retirar os excessos de tinta do rolo de tintagem com solvente o mesmo deverá ser lavado com água e detergente em abundancia para evitar que permaneça sobre a borracha restos de solvente que ressecam e inutilizam o rolo porque aceleram o processo de ‘empenar’ de suas pontas.

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Figura 16: matriz posicionada para receber tinta offset.

A espátula é material auxiliar indispensável para retirar a tinta da lata e estica-la sobre a mesa de tintagem. É a ferramenta ideal para a manipulação da tinta responsável pela homogeneização e preparação para a impressão. Pode ser encontrada inclusive em casas que vendem material para construção civil. O indicado é comprar espátulas de aço ou alumínio que tenham dureza e sejam imunes ao processo de oxidação.

É necessário também o uso de uma faquinha ou ferramenta similar para raspar impurezas, felpas e farpas, que se depositem sobre a tinta durante o esticamento na mesa de vidro.

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Figura 17: matriz pronta para ser levada à prensa após receber uma camada de tinta offset.

O talco é usado para proteger áreas da matriz que receberam tinta e que se quer não apareçam na impressão, realiza o efeito borracha ou apagador, e ainda serve para a proteção das mãos eliminando a gordura da tinta sobre os dedos evitando com isso que os dedos carregados de tinta marquem o papel durante as impressões. Para a aplicação do talco sobre áreas da matriz utiliza-se pinceis ou escovinhas. As observações que faço acima consideram que a impressão é realizada apenas por uma pessoa, um artista impressor, sem o auxílio de ajudantes. Caso a atividade de impressão fosse dividida por duas pessoas por exemplo, deveríamos considerar que um impressor poderia ficar encarregado de atintar a matriz e centralizá-la na mesa da prensa enquanto que o outro se encarregaria de ‘deitar’ o papel sobre a matriz, conforme as medidas do ‘berço’ e faze-la passar pelos rolos da prensa. O trabalho dividido desta forma diminuiria consideravelmente a necessidade do uso do talco para proteger as mãos, uma vez que o impressor encarregado de colocar o papel sobre a matriz não teria contato direto com a tinta. Porém, considerando que todas as etapas são realizadas por apenas um impressor, o uso de talco resulta necessário. Pode ainda serem feitos pegadores, de alumínio ou papelão para pegar o papel de impressão e leva-lo até a prensa. Isso diminui também o risco de o impressor deixar suas ‘digitais’ ou marcar o papel com tinta, o que inutilizaria a estampa. Outra alternativa a ser considerada é o uso do papel em um tamanho um pouco maior do que o estimado para a estampa e corta-lo após a secagem eliminando as bordas que por ventura tenham sido marcadas com tinta durante a impressão.

Material: tinta, rolo de tintagem, solvente, espátula, faquinha, talco.

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Figura 18: retirada de estampa sobre a matriz após prensagem na prensa.

6 Material de segurança e proteção individual. EPI

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Figura 19: material de segurança e proteção individual, EPIs.

Recomenda-se ter cuidado com materiais tóxicos e atenção quanto ao uso indiscriminado de materiais com esta classificação de risco. O artista deve primar pela redução ou eliminação de materiais tóxicos em seu atelier, mas se houver a necessidade de uso de elementos desta ordem o uso de equipamentos de segurança e proteção individual se farão extremamente necessários. Durante a gravação da matriz é necessário o uso de máscaras de pó para inibir a aspiração de partículas de pó levantadas durante o ato de gravar enquanto de que durante a impressão o vilão é o solvente e neste caso deve ser usado máscaras com filtros que eliminam a aspiração de fluidos tóxicos. Os óculos se fazem necessário em todas as etapas. Principalmente durante a gravação, momento o qual, partículas de pó podem entrar em contato com os olhos. Enquanto que a luva de PVC ou do tipo cirúrgica são mais necessárias quando da impressão, no momento de tintagem, e principalmente durante a limpeza das ferramentas. E por dois motivos, um de ordem prática, que é a proteção das mãos para evitar que fiquem marcadas com tinta e que na sequência do processo as mãos marcadas com tinta manchem o papel, e outra de ordem sanitária para eliminar o contato das mãos com solvente.

Material: Luva, máscara e óculos.

2 Responses

  1. Eduardo

    Gostaria de saber se em uma etiqueta de identificação da gravura deve constar a dimensão do papel ou da área impressa (matriz)?
    Grato

    Responder
    • admin

      Nós sempre consideramos a dimensão total da gravura. Isso não impede de vc acrescentar a dimensão da matriz, pode ser, vc decide como é melhor fazer de acordo com o seu objetivo.

      Responder

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