Ao se estabelecer em São Paulo nos anos 1950, o fotógrafo catalão Marcel Giró encontra o que havia de mais revolucionário na fotografia daquele momento de retomada da vida cotidiana após duas longas guerras: o Foto Cine Clube Bandeirante.

Nesse contexto, sua obra não se libertou totalmente da responsabilidade documental, forjada nas vivências do período entreguerras. Mesmo quando absorto pelas formas, pelas geometrias e pelas outras experimentações do Modernismo paulista, suas fotografias deixam escapar a preocupação desta geração de fotógrafos em documentar a transformação da cidade, assim como o fizeram Paulo Pires, José Yalenti, Ademar Manarini, Eduardo Salvatore, Gaspar Gasparian e outros simpatizantes do FCCB.

As metrópoles em crescimento são o foco principal de seus trabalhos; o olhar de Giró é o mesmo nas sombras mais duras, na geometria mais fria, nos contrastes menos cadenciados. Há sempre uma delicadeza a perpassar suas fotografias. Estranhamente foi dada pouca atenção, por longos anos, ao Modernismo da Escola Paulista, mas na última década importantes trabalhos fizeram com que obras guardadas pelas famílias dos artistas viessem a aparecer.

É o caso desta exposição, composta por 40 obras vintages, mantidas sob a guarda do sobrinho de Giró, Toni Ricart.

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