O foto-clubismo nasceu no final do século XIX na Europa, mais precisamente em Viena, na Áustria. Fotógrafos, cansados de não serem considerados artistas, resolveram criar um movimento que os aproximasse das artes plásticas, procurando de alguma forma, demonstrar que a fotografia não era simplesmente o resultado de um processo físico e químico, mas acima de tudo, resultado de um processo criativo. Ou seja, imagens que muitas vezes fogem do naturalismo buscando trucagens, manipulação de negativos e temas caros à pintura.
Os primeiros foto-clubes europeus podem ser considerados o primeiro passo para discutir a estética fotográfica. A imagem começa a ser criada, pensada, retirando da fotografia somente o seu papel de registrar. Passa-se a pensar a fotografia como um processo de interpretação do mundo.
Os membros dos foto-clubes participam de exposições pelo mundo todo, à exemplo dos salões de artes plásticas. Suas fotos são premiadas, recebem menções honrosas e passa-se a criar um acervo fotográfico que receberá o nome de pictorialismo.
O movimento fortemente europeu durará com bastante ênfase até 1914. Data que marca o início da primeira grande guerra. Antes disso, porém, nos Estados Unidos vamos encontrar na virada do século XIX para o século XX, mais precisamente em 1902, um outro movimento importante para discutir o estatuto de arte da fotografia: o Photosecession. Criado pelo fotógrafo Alfred Stieglitz, cujas raízes são foto-clubistas, o movimento tenta reivindicar um estatuto de linguagem autônoma para a fotografia. Para Stieglitz “a fotografia não era serva das artes, mas uma linguagem própria”. Era possível obter imagens artísticas usando o que era próprio da fotografia: luz e laboratório, sem por isso recorrer às técnicas próprias da pintura.
Podemos considerar o Photosecession como uma das primeiras vanguardas artísticas em relação à fotografia. Alfred Stieglitz cria a revista “Camera Work”, cujos textos tratam especificamente do papel da fotografia como arte, além de inaugurar uma galeria em Nova York para expor fotografias e outras formas de arte criando um debate entre as mais variadas formas de expressão.
No Brasil a influência maior será européia. Criados desde 1910, quase todos eles seguindo as normas de seus similares do velho mundo. Por aqui, com atraso de alguns anos, o primeiro foto-clube que vai conseguir se firmar como tal será somente em 1923: o Photoclube Brasileiro, que nasce no Rio de Janeiro calcado na idéia acadêmica de imagem inspirada na Faculdade de Belas Artes. Foi um movimento importante no desenvolvimento da fotografia artística no Brasil até o final da década de 1940.
Por: Simonetta Persichetti
Jornalista/crítica de fotografia.

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