Durante o mês de novembro de 2025, Florianópolis ganhou novas camadas de cor, histórias e arte impressa. Muros, pistas de skate, espaços públicos, centros culturais e paredes espalhadas pela cidade receberam milhares de cartazes produzidos por artistas de diferentes estilos e regiões do Brasil.

Mais do que um festival, o Lambe Floripa reafirmou sua principal missão: ocupar a cidade com arte.

Ao longo de um mês inteiro de programação, mais de 130 artistas participaram das ações do festival, que resultaram na colagem de mais de 1.500 lambes em diferentes pontos da capital catarinense.

A cidade como galeria

O grande diferencial do Festival Lambe Floripa sempre foi entender que a cidade também é um espaço de exposição.

Em vez de concentrar suas atividades em um único local, o festival espalhou suas ações por diferentes bairros e territórios, aproximando a arte do cotidiano das pessoas.

As intervenções aconteceram em locais emblemáticos de Florianópolis, passando pelo Centro, Trindade e Continente, transformando paredes comuns em suportes para ilustrações, gravuras, fotografias, tipografias e diferentes formas de arte impressa.

Cada parede recebeu uma nova identidade construída coletivamente pelos artistas participantes.

Festival Lambe Floripa 2025 (CAPS Ponta do Coral)

Oficinas que aproximaram novos artistas

Além das colagens urbanas, a programação contou com oficinas voltadas à produção de lambe-lambe e impressão artística.

Entre elas, destacaram-se as atividades realizadas no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) da UFSC, além de ações desenvolvidas em diferentes CAPS da cidade, aproximando a produção artística de estudantes, usuários dos serviços de saúde mental e da comunidade em geral.

Mais do que ensinar uma técnica, essas oficinas criaram espaços de encontro, experimentação e troca de experiências, mostrando que qualquer pessoa pode utilizar o lambe-lambe como linguagem de expressão.

Maratona Cultural 2026

Ocupando espaços simbólicos

O Festival Lambe Floripa também marcou presença em alguns dos espaços urbanos mais representativos da cidade.

A programação incluiu ações durante a Maratona Cultural de Florianópolis, ampliando o diálogo entre diferentes manifestações artísticas e levando a produção gráfica para um dos maiores eventos culturais da capital.

Outra intervenção de destaque aconteceu na Pista do Entulho, na região continental, e na tradicional Pista Underground, locais que já fazem parte da cultura urbana de Florianópolis e que ganharam novas camadas visuais durante o festival.

Essas ocupações reforçam um dos princípios do Lambe Floripa: a arte urbana não acontece apenas nos grandes murais. Ela também vive nas pequenas intervenções, nos cartazes, nas colagens e nas imagens que dialogam diretamente com quem circula pela cidade.

Entulho D.I.Y.

Uma construção coletiva

O sucesso da edição de 2025 não pode ser medido apenas pelos números.

Mais de 130 artistas participaram das ações e mais de 1.500 lambes foram colados, mas o verdadeiro resultado está na construção de uma rede cada vez maior de pessoas interessadas em produzir arte de forma colaborativa.

Cada oficina, cada parede e cada nova colagem ampliaram essa comunidade que acredita na ocupação artística como forma de transformar os espaços urbanos.

Durante um mês inteiro, Florianópolis tornou-se uma grande galeria a céu aberto, acessível a qualquer pessoa que caminhava pelas ruas.

Nos vemos em 2026

Depois de uma edição marcada pela diversidade de artistas, pela ocupação de novos espaços e pelo fortalecimento da cena da arte impressa na cidade, o Festival Lambe Floripa já tem data para voltar.

A edição de 2026 acontecerá novamente ao longo de todo o mês de novembro, entre os dias 1º e 30 de novembro, com uma nova programação de oficinas, intervenções urbanas, exposições e ações colaborativas.

A expectativa é ampliar ainda mais a participação de artistas e continuar transformando Florianópolis em uma grande galeria aberta, onde a arte ocupa as ruas, dialoga com a cidade e encontra o público no seu caminho.

Porque o lugar da arte também é o muro.